O tratamento do meningioma, um tumor geralmente benigno que se origina das meninges (as membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal), demanda uma estratégia cuidadosa e individualizada. A abordagem terapêutica é influenciada por uma série de fatores cruciais, incluindo o tamanho, a localização, a taxa de crescimento do tumor, a presença de sintomas, a idade e o estado geral de saúde do paciente. Dada a diversidade dessas variáveis, a decisão sobre o tratamento ideal requer uma avaliação multidisciplinar envolvendo neurocirurgiões, neurologistas, radioterapeutas e, em alguns casos, oncologistas.
Em muitos casos de meningiomas pequenos e assintomáticos, particularmente em pacientes idosos ou com outras comorbidades significativas, a observação vigilante pode ser a conduta inicial mais apropriada. Essa estratégia envolve o acompanhamento regular do paciente por meio de exames neurológicos periódicos e ressonâncias magnéticas (RM) sequenciais para monitorar qualquer crescimento tumoral ou desenvolvimento de sintomas. A intervenção terapêutica é reservada para casos em que o tumor demonstra crescimento progressivo ou começa a causar manifestações clínicas.
Quando o tratamento ativo se torna necessário, a cirurgia representa a modalidade primária e, muitas vezes, curativa para a maioria dos meningiomas acessíveis. O objetivo da cirurgia é a ressecção completa do tumor, incluindo sua fixação dural e quaisquer vasos sanguíneos que o irrigam. A extensão da ressecção, classificada pela escala de Simpson, é um fator prognóstico importante, com ressecções completas (Simpson grau I e II) associadas a menores taxas de recorrência. No entanto, a localização do meningioma pode apresentar desafios cirúrgicos significativos, especialmente quando adjacente a estruturas neurológicas críticas, como nervos cranianos, vasos sanguíneos importantes ou áreas cerebrais eloquentes. Nesses casos, a ressecção completa pode não ser possível ou pode acarretar um risco aumentado de déficits neurológicos. As técnicas microcirúrgicas avançadas e o monitoramento neurofisiológico intraoperatório desempenham um papel crucial na maximização da ressecção tumoral e na minimização do risco de complicações.
A radioterapia emerge como uma alternativa terapêutica importante em diversas situações. Para meningiomas incompletamente ressecados, a radioterapia adjuvante pode ser utilizada para controlar o crescimento do tumor residual. Em casos de meningiomas inacessíveis cirurgicamente devido à sua localização complexa ou ao estado clínico do paciente, a radioterapia primária pode ser uma opção eficaz. Além disso, para meningiomas recorrentes ou para aqueles classificados como atípicos (grau II da OMS) ou anaplásicos (grau III da OMS), que apresentam maior risco de recorrência e crescimento agressivo, a radioterapia pode desempenhar um papel fundamental no controle da doença.
As técnicas de radioterapia evoluíram significativamente, oferecendo maior precisão na entrega da radiação e minimizando a exposição dos tecidos cerebrais saudáveis. A radiocirurgia estereotáxica, como o Gamma Knife ou CyberKnife, é particularmente útil para meningiomas pequenos a médios, bem definidos e localizados em áreas críticas. Essa técnica permite a administração de uma dose única e alta de radiação diretamente ao tumor, com rápida atenuação da dose fora do alvo. A radioterapia fracionada, que envolve a administração de doses menores de radiação ao longo de várias sessões, é geralmente preferida para tumores maiores ou para aqueles localizados próximos a estruturas sensíveis, permitindo uma melhor tolerância pelos tecidos normais. A terapia com feixe de prótons representa outra modalidade de radioterapia que oferece uma liberação de energia ainda mais precisa, com potencial para reduzir a toxicidade em casos selecionados.
É importante ressaltar que, para a grande maioria dos meningiomas benignos (grau I da OMS), a cirurgia ou a radioterapia estereotáxica podem oferecer controle local duradouro. No entanto, para os meningiomas atípicos e anaplásicos, o tratamento pode ser mais desafiador, com maior risco de recorrência e progressão. Nesses casos, abordagens terapêuticas mais agressivas e um acompanhamento mais rigoroso são necessários.
Atualmente, a terapia sistêmica, como a quimioterapia, tem um papel limitado no tratamento da maioria dos meningiomas, especialmente os de baixo grau. No entanto, em casos raros de meningiomas agressivos e metastáticos que não respondem a outras terapias, ensaios clínicos investigando novas abordagens terapêuticas, incluindo terapias alvo e imunoterapia, podem ser considerados.

